O processo de conquista da
criança é um elemento fundamental para a criação de um ambiente terapêutico favorável.
As terapias não funcionam como produtos injectáveis nem consumíveis, sendo esta
dinâmica realizada na farmacoterapia que é algo físico. Assim sendo, a forma
como trabalhamos para ganhar a confiança e a atenção da criança, deve esta ser
das primeiras chaves de entrada em qualquer dinâmica.
Não existindo uma chave-mestra
para o mundo da criança, a forma como conseguimos isso só depende da capacidade
que o Terapeuta tem de ler os seus interesses e as motivações, para depois este
se mascarar de uma personagem que é o ideal para aquela criança.
A atenção é
um processo que depende da vontade, estando a vontade relacionada com o interesse
do observador em relação à especificidade do observado. A combinação perfeita
entre aquilo que quero ensinar, mais o interesse da criança permite obter
resultados rápidos, uma vez que consigo ser ouvido. Saliento que a ciência de
ser ouvido, não passa pelo gritar, punir nem gesticular, mas sim em ser um
modelo que tem estatuto de cópia social. Se pensarmos
que a atenção tem intensidades, quando maior for a forma como executamos a
atenção, mais informação seleccionamos e o nosso processo de aprendizagem e
conhecimento surge com maior facilidade.
Triimm,
trrimm – Ouve-se a campainha.
Depois de
aberta a porta a criança com quem vou trabalhar inicia logo um processo de
reorganização, sabendo que irei levar algo meu para ela realizar. Levo comigo em
mãos os materiais de trabalho. Ao entrar o Menino surge com 6 sapinhos de plástico,
tento captar a sua atenção para aquilo que tinha em mãos mas os sapos levaram a
melhor. Sendo esta criança persistente nos seus comportamentos rapidamente percebi
que não iria conseguir expulsar os sapos, deste modo cedi aos animais e
coloquei-os a trabalhar connosco.
O objectivo
da sessão era a prática de exercícios lógico-matemáticos, e como os sapos tinham
cores, iniciamos com um exercício de memória de cores, passamos para uma torre
de sapos e terminamos com uma linha de sapos observadores do nosso trabalho.
Cada sapo passou a representar um avaliador do sucesso da tarefa, caso a
criança fizesse o trabalho o sapo dava um pulo de alegria. (Até aqui a atenção
entre exercícios estava assegurada…).
A atenção
sustentada implica um comportamento consistente por um longo período de tempo,
é aquela que é exigida durante uma actividade repetitiva e contínua no tempo, e
a nossa sessão é longa e precisava de conseguir essa atenção da criança.
A meta da sessão passou a ser conquistar um número mínimo de saltos dos
sapinhos de forma a podermos jogar o grande “Jogo Final Sapinho”. Com isto, plantei
uma meta, um objectivo a ser atingido pela criança e que levou a ampliar a sua
motivação no sucesso-geral.
Em suma, com
sapos ou sem sapos as metas de trabalho devem estar adaptadas ao salto de cada
criança. O Motivar e o Incentivar devem ser os motores do comportamento, sendo
mais uma vez toda a minha atitude (Sem gritos, nem punições) um alvo de imitação
e exemplo para aquela criança.

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